Fernando Henrique Cardoso nasceu no que popularmente chamamos "berço de ouro" e, não sei se podemos dizer que por isso ou por seus méritos, ocupou o cargo máximo da política no país: Presidente da República Federativa do Brasil, de 1994 a 2002.Licenciado em Ciências Sociais, teve como seu mestre Florestan Fernandes, ao qual atribui a responsabilidade de nele despertar o lado sociológico, emblematizando-o por toda a sua vida.
No livro "As identidades do Brasil", o autor diz: "... Até 1978, F.H.Cardoso foi um excepcional cientista social"... "Após 1978, ele se tornará um "político excepcional". Foi quando abdicou de sua identidade de cientista social, sendo eleito suplente de senador pelo MDB, alcançando a eleição para o Senado pelo PMDB, em 1983 e 1986. Foi ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, em 1993, quando criou e implementou o Plano Real.
Sempre acreditou que a justiça social somente viabilizar-se-ia com o desenvolvimento da civilização tecnológica e capitalista. Nessa linha, defende que a dependência dos países pobres aos países desenvolvidos alavancará o desenvolvimento dos países dependentes. "... o seu conceito de "dependência permite a análise das estruturas de dominação de classes e grupos sociais das sociedades dependentes, bem como dos seus meios políticos para a imposição dos seus interesses ao conjunto da sociedade..."
Ainda que como trabalho acadêmico, pesquisou os escravos, que não sendo considerado sujeito, fez com que buscasse explicações na auto-representação do sujeito modernizador do Brasil: o empresário industrial, concluindo que o empresário não se considera governo, mas unicamente povo.
O autor de "As identidades do Brasil" afirma que F.H.Cardoso "... perderá seus escrúpulos populares e nacionalistas e assumirá o projeto burguês..."
Defensor da importação de tecnologias, como o fizera em seu livro Dependência e Desenvolvimento na América latina, enfatiza a aplicação do desenvolvimento pela industrialização controlada pelas multinacionais, desfavorável a uma luta nacional contra as mesmas. Diz que dependência é um termo que melhor explica a situação de um país em relação a outro em melhor posição econômica do que "subdesenvolvimento".
Considerado por muitos como um "príncipe" (de Maquiavel), Fernando Henrique Cardoso sempre se distanciou dos demais políticos por intelectualidade exacerbada, mas admite a falta de brilhantismo na condução do processo docente, pois reclama de não ter discípulos, mas tão unicamente alunos.
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